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quinta-feira, 22 de março de 2012

Martha Medeiros (3)


Felizes por nada
Quando me perguntam a que atribuo o fato de minha última coletânea de crônicas estar há 32 semanas na lista dos mais vendidos, não me ocorre outra resposta: só pode ser por causa do título, já que o conteúdo é semelhante às coletâneas anteriores. No entanto, nenhuma teve uma receptividade tão calorosa quanto Feliz por Nada, um livro que traz textos sobre as triviais situações do cotidiano, e não sobre a “Felicidade” aquela, com maiúscula e traje de gala. Como se explica?

Surgiu uma pista: foi divulgado, semana passada, o resultado de uma pesquisa que revela que o Brasil é o campeão mundial de felicidade. Mundial! As entrevistas devem ter sido feitas numa época do ano diferente da que estamos, pois quem consegue ser tão feliz prestes a entregar a declaração do imposto de renda? Pagamos os tubos para o governo, que gentilmente retribui nos dando uma banana. Os que buscam saúde de qualidade, educação de qualidade e segurança de qualidade têm que pagar por fora. Os pedágios seguem altos. Tudo é caro: roupa, alimento, remédio, transporte. Aeroportos não dão conta do movimento, criminosos são soltos por falta de espaço nas prisões, o trânsito nas grandes cidades está estrangulado, o tráfico de drogas acontece a céu aberto. Nem precisamos perguntar para onde vão os bilhões que o governo arrecada e que deveriam ser reinvestidos no país. Vão para o mesmo lugar aonde vai nosso voto: para o bolso dos sem-escrúpulos.

Logo, somos realmente felizes por nada. Se não temos a bravura de nos mobilizarmos, ao menos nos sobra capacidade de extrairmos alegria de todo o resto: desde os gols do Neymar até uma receita nova de panqueca. Não deixa de ser um estágio existencial avançado – em vez de um povo frustrado por não ter a casa própria, o vestido de grife ou o iPad recém-lançado, as pessoas curtem a floreira embaixo da sua janela, o café da manhã com o namorado, o último capítulo da novela, o primeiro desenho que o filho fez na escola. A notícia é boa, mas também é ruim: tudo indica que estamos valorizando as pequenas delicadezas que a rotina oferece com fartura, o que explica não nos importarmos tanto por sermos roubados e por vivermos sitiados dentro de edifícios gradeados.

Faço parte do time que acredita que ficar em casa lendo um livro ou se reunir com amigos para tomar um vinho equivale a uma festa a rigor (na verdade, considero melhor que uma festa a rigor). Individualmente, a simplicidade é uma forma saudável de levar a vida, é o que defendo. Mas quando uma nação inteira se revela satisfeita com merrecas, sem ter o básico garantido, alto lá. Consagrar o Brasil como campeão mundial de felicidade é passar atestado da nossa alienação e do nosso desinteresse pelo futuro. Seria mais decente nos emburrarmos um pouco.

(texto de Martha Medeiros, publicado no Jornal Zero Hora/RS – 14/março/2012)


segunda-feira, 4 de abril de 2011

Não falo mais disso!

Depois de tanto tempo sem dar as caras para escrever uma linha sequer, tô de volta!

Ô correria, viu gente! É viagem a trabalho, atenção pra familia, trabalho da pós...eu me perguntei quantas outras pessoas não passaram por semanas, meses assim? Tudo o que agente quer nesse período é esquecer o trabalho, esquecer os problemas, mas tudo que agente sabe fazer é falar disso!

Você encontra com uma amiga na padaria e ela pergunta : "tudo bem? novidades?" e você responde: "menina, to numa correria, trabalho de mais, não tenho tempo nem pra respirar! " lá se foi uma oportunidade de mudar de asunto, esquecer a rotina.

Você sai pra jantar com o namorado e tudo o que sabe fazer é falar do trabalho, da sujeitinha implicante, da menina do café, dos clientes que só sabem pedir desconto, dos fornecedores que não dão um desconto.. afff , cansa!!!

Até que você encontra alguém que te fala assim: sabe o que você precisa? Sair da rotina, esquecer o trabalho no trabalho. Essas pessoas bem que podiam dar uma receita de como. Por que eu tento, tento com vontade, mas na hora de dormir estou pensando: nossa amanhã tenho os relatórios, preciso ligar para tantos clientes e ao invés de contar carneirinho, to passeando pela horta, contando pepino!

É não tem jeito, parece que quanto mais agente pensa em fugir, mais agente pensa nos problemas, então o unico jeito é não pensar. O jeito é respirar fundo, e seguir o conselho de Jack, vá por partes!!! Cada problema de uma vez, assim quando a poeira baixar, você vai finalmente poder ler aqule livro que você tenta ler há uma semana e não consegue, vai conseguir curtir uma noite com os amigos, assistir um bom filme com um belo gato ao lado, ou então esquece o filme, esquece o livro, apenas curta muito o bom momento ao lado daquele gato.