Um bebê chora incontrolavelmente quando sente qualquer dor. Para uma criança um tombo bobo ou um pequeno machucado parecem o fim do mundo. Nesse momento tanto um bebê como uma criança querem apenas que a dor passe, querem se sentir seguros novamente.
O tempo passa, o bebê e a criança um dia se tornarão adolescentes, sentirão novas dores, dor de garganta, um braço quebrado, uma torção, as meninas são apresentadas às cólicas menstruais que irão acompanhá-las durante praticamente toda a vida e novamente o único desejo é que a dor passe.
Durante a vida não são apenas dores físicas que conhecemos, existem tantos tipos de dores que quando nos acostumamos com uma aparece outra. Na primeira vez que sentimos qualquer dor ficamos desorientados, sem saber o eu fazer, então conseguimos resolver o problema, com toda certeza nas próximas vezes que essa dor se apresentar vamos fazer exatamente o que fizemos da primeira vez, até que o método não funcione mais.
Depois de conhecer algumas dores físicas, onde quer que apareça outra ela passa a ser apenas um incomodo e isso independe da idade. O corpo acostuma a sentir dor, não interessa onde, simplesmente o corpo passa a minimizar o efeito "fim do mundo", até que dói uma parte onde não podemos tocar com facilidade. Uma dor sentimental dói mais do que qualquer outra e não importa quantas vezes ela apareça para dar um oi, vai sempre doer do mesmo jeito ou mais do que antes.
A dor da perda, seja de uma amizade, de um amor, de um sonho, sempre será maior do que qualquer uma porque sabemos que aqueles bons momentos não irão voltar, porque é na perda que temos a certeza de que todos aqueles planos que fizemos não vão se realizar, uma viagem no verão, um passeio no shopping, o cinema juntos, o carro eu você iria comprar se tivesse recebido aquela promoção.
E depois de sentir tanta dor, só queremos nos sentir seguros de novo, seja com um novo amor, reforçando antigos laços de amizade ou mesmo trabalhando em um novo projeto. Passamos a vida aprendendo a lidar com a dor, então porque algumas dores nunca passam? Quando alguma pessoa especial, próxima, morre, seja familiar ou um amigo, ao tocarmos no assunto dificilmente falamos que a pessoa morreu, dizemos que perdemos um amigo, um irmão. Algumas dores são insuperáveis, porque o que nos faz sentir a dor não é algo a ser curado.
Quando alguém sai de nossas vidas fica o espaço vazio, ficam os planos que não serão executados, as emoções que poderiam ser vividas, ver uma irmã ser mãe, o filho se formando, os planos de casamento sendo jogados fora, mas assim como aprendemos a curar as dores físicas também saímos ganhando quando podemos lembrar de todos os bons momentos ao lado das pessoas especiais que fizeram parte da nossa vida, os lugares que você conheceu, o que importa são as gargalhadas, as brigas, as horas no telefone o que importa são os momentos em que você se entregou, as horas que se dedicou.
Não importa o que os outros fizeram ou fazem por você, não importa o cargo que você ocupa ou o lugar para onde você viajou. O que vale a pena é olhar pra tras e poder se lembrar de todos os momentos saborosos que você viveu até chegar lá, o que importa são quantas emoções você despertou nas pessoas que um dia estiveram ao seu lado.
Filosofando bonitamente, hein?!
ResponderExcluirGostei de ver!
beijinho